COMO SOBREVIVER NO PAÍS DOS ESCÂNDALOS E CORRUPÇÕES

Responsável: Barbara Calderani

Vivemos numa época singular da história do nosso país. Nunca se investigou tanto, nunca se descobriu tantas informações e nunca tivemos a verdade tão escancarada a respeito de corrupção, suborno, doações ilegais e uma infinidade de desonestidade no cenário empresarial e público do nosso país.

Todos os dias somos bombardeados com informações, dados, notícias, áudios, vídeos e imagens que comprovam minuto a minuto, que estamos todos envolvidos num emaranhado de negociações comerciais escusas que deixam evidente a sensação de que para ter uma empresa bem-sucedida e com contratos rentáveis e lucrativos é necessário entrar nesse “jogo”.

As investigações não chegaram ao nosso pedaço da cadeia, mas vão chegar, inevitavelmente. Transporte está envolvido em absolutamente todas as operações comerciais. Com advento da tecnologia cada vez mais pessoas se conectam e produzem relações de compra e venda em lugares totalmente distinto do nosso país, e nossos caminhões entram em cena para coletar, transferir e entregar esses produtos.

Eis o cenário que estão entregando as novas lideranças, jovens assim como eu, que se prepararam, estudaram, se capacitaram e estão chegando ao mercado para assumir e gerenciar as empresas de suas famílias. Jovens cheios de vontade, de ideais e planos de inovar e valorizar um setor que cresceu na brutalidade de senhores como meu pai, que começaram suas empresas dirigindo seu primeiro caminhão, os conhecidos motoristas que deram certo.

Nesse cenário, que esfrega na nossa cara juvenil e idealizadora, a todo momento, que empresário só dá certo pagando propina, fazendo negócios ilegais e “comprando” pessoas. Isso porque estamos focando somente nas questões comercias, mas poderia falar ainda das questões trabalhistas extremamente protecionistas ou ainda as questões tributárias que sufocam e imobilizam centenas de empresários.

Somos testados a exaustão. Vale a pena ser empreendedor no nosso país? Vale a pena acreditar e empenhar toda nossa energia em nos tornarmos os jovens empresários do transporte brasileiro?

Sim.

Se existe uma parte boa nesse caos, e sempre existe uma parte boa, é a renovação. Todas essas mudanças estão acontecendo porque existem cidadãos persistentes que desejam um mundo melhor para seus filhos. Cabe a cada um de nós, jovens empresários, acreditar.

Numa era tão digital, cabe a nós resgatar as relações comerciais, o aperto de mão que sela o contrato, o olho no olho que revela a verdade, a palavra que vale mais que uma assinatura. Precisamos mostrar a esse país que transportamos mais do que produtos, transportamos valores, princípios e sonhos, pois somos uma só família, a família do transporte rodoviário de cargas. A mudança está em cada um de nós.